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| Opinião |
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Gestão de Organizações do Terceiro Setor O Terceiro setor é formado por organizações não governamentais (ONGs) que surgiram em resposta à pobreza, violência, doenças, poluição ambiental e conflitos religiosos, étnicos, sociais e políticos que o mundo vem enfrentado desde o fim da II Guerra Mundial. Essas organizações se caracterizam por não terem finalidades lucrativas, por serem autônomas; isto é, não têm vínculo com o governo, e por serem voltadas para o atendimento das necessidades de organizações de base popular em parceria com ações do Estado (Tenório, 2005). Ainda segundo Tenório (2005), as características inerentes às ONGs e a evolução de seu papel dependem basicamente do tipo de gestão que praticam. Na década de 80, ocorreram mudanças conjunturais nos países da América Latina, que levaram as ONGs a reconsiderarem sua forma de gestão. O fato de o Banco Mundial e outras instituições internacionais desacreditarem na capacidade dos órgãos governamentais latino-americanos quanto à alocação de recursos para programas sociais foi a principal causa da evolução das Ongs. O Banco Mundial descobriu que as Ongs podem ser uma solução para os problemas sociais e isso as obrigou a repensarem a sua missão, a sua forma de atuação e seu funcionamento. No Brasil a ineficiência do Estado para garantir algumas políticas públicas básicas é notória e este fato faz com que as organizações do Terceiro Setor se tornem de fundamental importância. Elas atendem alguns grupos que o Estado não consegue atender, minimizando as desigualdades sociais existentes no país. O movimento das Apaes surge para atender essa demanda, mas nele identificam-se alguns mitos: a cultura de uma gestão ineficaz – o maior problema a ser superado pelas Apaes e a inexistência de pessoal qualificado para formular boas estratégias – o que gera a necessidade de contratação de diversas consultorias externas. Mas na prática esses mitos não reais, principalmente se considerarmos tratar-se de um movimento com 54 anos de existência, que conta com mais de 2000 instituições em pleno funcionamento. Se não houvesse gestão, essas instituições estariam fechadas, embora a necessidade de aprimoramento da eficiência geral da gestão seja verdadeira. Por outro lado, é perceptível que a Rede Apae desenvolveu profundo conhecimento da gestão de seus serviços e que precisa apenas sistematizá-lo e disseminá-lo. É perceptível também, que estratégias externas de processos de organização não se ajustam ao movimento apaeano, pela genuinidade de sua concepção. Essas estratégias distorcem a concepção existencial do movimento apaeano. Três premissas foram definidas como núcleo de concepção do Movimento Apaeano: a preservação da concepção do movimento social; o respeito à cultura existente e a participação efetiva dos pais nas decisões estratégicas. Estabelecidas as premissas e debelados os mitos, a gestão do movimento apaeano deve focalizar sua atenção em quatro áreas bem definidas: transparência de gestão, busca de sustentabilidade institucional, aprimoramento de seus serviços e resgate de capacidade de articulação. Referência: TENÓRIO, Fernando Guilherme: GESTÃO DE ONGs; Principais funções gerenciais. Rio de Janeiro; Editora FGV, 2005 Sérgio Sampaio Bezerra Presidente da Federação das Apaes do Estado de Minas Gerais |
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