Boletim eletrônico da Federação das Apaes do Estado de Minas Gerais
Nº 5 - ABRIL 2010
 
Números | 1 - 04/ 09 | 2 - 07/ 09 | 3 - 10/09 | 4 - 01/10 | 5 - 04/10 | 6 - 07/10 | 7 - 10/10 | 8 - 01/11 | 9 - 04/11 | 10 - 08/11 11 - 12/11
    Entrevistas
     
Sumário
Palavra do Presidente
Entrevistas
Notícias
Artigo Opinião
  Maria da Conceição Pires dos Santos, 38 anos, ex-residente da Febem e atual moradora de uma Casa Lar Supervisionada

Maria Celeste de Paulo
Como começou a sua história, Conceição?

Cheguei bebê no Núcleo Caminhos para Jesus. Com 8 anos fui para a Febem. Sofri muito porque eu amava o Núcleo e todas as pessoas de lá, que eram muito boas. Chorei, pedi para não sair, mas tive que ir para a Febem. Eu me separei das minhas amigas e isso foi muito triste também.

para a Fui para a Febem do Horto e fiquei lá um ano. Detestei. De lá fui para um colégio de freiras, em Paracatu, mas não pude continuar por causa do meu problema de coluna. Não havia acompanhamento médico e meu problema era sério. Voltei para a Febem do Horto, onde fiquei 10 anos. Depois, fui para a Febem do Barreiro, onde havia acompanhamento médico para mim. Eu usava aparelho e andava com muita dificuldade. Lá eu reencontrei algumas amigas do Núcleo Caminhos para Jesus e foi bom demais. Fiquei 19 anos no Barreiro. Aí então as Casas Lares apareceram e as meninas e meninos da Febem do Barreiro começaram a sair. Eu fiquei por último. Fui para a Casa Lar do Barreiro com 8 moças e 2 mães sociais. Mas começou a dar problema porque as mães não combinavam. A presidente da Apae de Belo Horizonte, a Dolores, me convidou para ser auxiliar da mãe social e assinaram minha carteira. Fiquei muito alegre com isso. As meninas me obedeciam. Eu já estava acostumada a lidar com elas e tinha muita paciência.

Enquanto eu estava no Barreiro, fiz várias cirurgias na coluna. Precisei de muito tratamento. Eu sempre fui bem tratada na Febem, mas trabalhava duro, mesmo sem ter condições físicas. Mas eu sofria muito de ver os funcionários fazerem maldade com as outras crianças. Batiam nelas por quase nada. Prendiam as crianças num quarto fechado, vazio, sem luz, sem alimento, sem água e sem banheiro. Era uma situação horrorosa. Um funcionário chegou a quebrar o braço de uma menina e depois disse que havia sido briga entre as crianças. Coisas assim aconteciam de vez em quando: machucavam as crianças e diziam que elas tinham brigado.

Na Febem do Barreiro tinha funcionários bons e maus, mas na Febem do Horto, todos eram ruins. Batiam nas crianças e faziam a gente trabalhar para ganhar comida.

Depois da Casa Lar, fui com três moças para o bairro Santa Amélia, para uma Casa Lar Supervisionada. Duas trabalhavam com carteira assinada. Agora sou aposentada por invalidez.

Como foi que surgiu o seu livro

Eu estava de férias na praia e quis muito escrever um livro para contar a minha história. Escrevi tudo num caderno. A Dolores, presidente da Apae de Belo Horizonte, conseguiu me ajudar. Ela e a Denise, secretária da Apae, arrumaram tudo para o livro ser publicado. O livro fui editado duas vezes. Fiquei muito feliz – escrevi minha história. Teve festa de lançamento. Fui ao cabeleireiro arrumar o cabelo para o lançamento do livro.

Como é a vida na Casa Lar Supervisionada?

Agora somos três moças. Dividimos as tarefas da casa e as despesas. Combinamos, mas mesmo assim às vezes é difícil. Quando bate a saudade, ligamos para a Dolores, a presidente da Apae de Belo Horizonte, ou vamos à casa dela. Quando temos qualquer necessidade, ligamos para Apae de Belo Horizonte e alguém vai nos ver. Todas nós saímos muito, para o trabalho, para aulas, médicos e para a Apae.

Qual é o seu sonho hoje?

Escrever outro livro, mas no computador, não no caderno como foi o primeiro. Estou na aula de computação na Apae de Belo Horizonte. Quero ter um computador para escrever outro livro, com internet para passar e-mail.
   
PRÓXIMAS ENTREVISTAS
João Bosco Pinto São Miguel, 26 anos, ex-residente da Febem, atual habitante de Casa Lar
Guiomar Esteves Viana, mãe social de Casa Lar no Bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte
Maria da Conceição Pires dos Santos, 38 anos, ex-residente da Febem e atual moradora de uma Casa Lar Supervisionada
     
     
Federação das Apaes do Estado de Minas Gerais
Rua Cristal, 78 - Bairro Santa Tereza - CEP 31010-110 - Belo Horizonte - MG
Tel.: (31) 3291-6558 - Fax: 3291-6498

Jornalista responsável: Ana Laura Machado Santos